Evermore

Joaquim Alberto Ferreira dos Santos

Lovingly known as “Quinzinho”

2 September 1938 — 25 July 2023 · aged 84

Bancário do Banco do Brasil, tesoureiro da Unidos de Cavalcanti e torcedor do Flamengo

Brazil Rio de Janeiro, Brazil Born in Cavalcanti, Rio de Janeiro Resting at Cemitério de Inhaúma, Rio de Janeiro
6 tributes26 candles & flowers34 remembering 1.6K visits

About Joaquim

Todo mundo achava que Seu Tonho era o coração da Unidos de Cavalcanti, e estava certo. Mas todo mundo no bairro também sabia que Quinzinho era o cofre, e sem cofre nenhuma escola de samba desfila.

Joaquim Alberto Ferreira dos Santos nasceu em Cavalcanti em 1938, quatro anos depois do irmão Antônio, filho de uma lavadeira e de um maquinista. Estudou no Colégio Pedro II, passou no concurso do Banco do Brasil aos dezenove anos e trabalhou na agência do Centro do Rio por trinta e cinco anos, onde se aposentou como gerente de contas. Era conhecido por três coisas: a letra perfeita, a pontualidade britânica e o hábito de nunca pedir um favor que pudesse pagar.

Em 1958, com um ano de banco e nenhum de samba, topou ajudar o irmão a fundar a escola, desde que ele cuidasse das contas. Foi tesoureiro da Unidos de Cavalcanti por cinquenta e sete anos e, em todo esse tempo, nunca faltou dinheiro para o carnaval, nunca atrasou o pagamento de uma costureira e nunca deixou de anotar cada centavo num caderno de capa preta que a família guarda até hoje. Quando a escola passou aperto, em 1989, ele pôs o próprio décimo terceiro na mesa, e ninguém soube até muitos anos depois.

Torcedor do Flamengo por herança e teimosia, colecionava discos de samba de 78 rotações, tomava café com pão na chapa todas as manhãs na mesma padaria e jogava dominó às quintas, onde dizia ter ganho mais amigos do que partidas. Casou-se com Dona Marlene em 1965. Ela faleceu em 2019, e ele disse que o samba, desde então, ficou “em tom menor”.

Quinzinho morreu em 25 de julho de 2023, aos oitenta e quatro anos, menos de um ano depois do irmão Tonho, e quem o conhecia diz que ele não quis ficar sem a outra metade da bateria. Deixa a filha Cláudia, o filho Marcos, quatro netos e o caderno de capa preta, cuja última linha, escrita à mão, diz: “Saldo: zero. Dívida: nenhuma.”

“Quem entende de números não precisa gritar.”
Faith
Catholic
Place of birth
Cavalcanti, Rio de Janeiro
Resting place
Cemitério de Inhaúma, Rio de Janeiro
Passed away
25 July 2023, Rio de Janeiro

Missa de sétimo dia

Tuesday, 1 August 2023 at 09:00 UTC

Add to calendar

Igreja de São Sebastião

Cavalcanti, Rio de Janeiro

Get directions

Life journey

  1. Curso ginasial e científico

    Colégio Pedro II

    1950 – 1957 · Rio de Janeiro

    Aluno aplicado, famoso pela letra caprichada e pelos boletins sem uma única nota vermelha.

  2. Escriturário a gerente de contas

    Banco do Brasil

    1958 – 1993 · Rio de Janeiro

    Trinta e cinco anos na agência do Centro, sempre com o balanço fechado no horário.

  3. Cofundador e tesoureiro

    G.R.E.S. Unidos de Cavalcanti

    1958 – 2015 · Rio de Janeiro

    Cuidou das contas da escola por cinquenta e sete anos sem deixar faltar nada.

  4. Casamento com Marlene Costa

    1965 – 2019 · Rio de Janeiro

    Cinquenta e quatro anos de casamento e muitos domingos de feijoada.

  5. Troféu Amigo do Samba

    G.R.E.S. Unidos de Cavalcanti

    2015 · Rio de Janeiro

    Homenagem da escola ao tesoureiro que nunca deixou o carnaval no vermelho.

Tap an organisation to find others who studied or worked there.

Family & connections

Also remembered on Evermore

Joaquim is survived by

  • Cláudia Regina Ferreira· Daughter
  • Marcos Antônio Ferreira· Son
  • 4 netos· Grandchildren

Tributes & memories

6 people have shared a memory of Joaquim.

Knew Joaquim? Share a memory with the family and everyone who loved them.

Sign in to write a tribute
  • SM

    Colega do Banco do Brasil, agência Centro

    Trabalhei dez anos na mesa ao lado da dele. Nunca vi Joaquim errar uma conta nem perder a paciência com um cliente. Nos dias difíceis trazia um pacote de biscoito de polvilho e dividia com todos. Foi o melhor tipo de colega: o que a gente nunca esquece.

  • LB

    Companheiro de dominó há cinquenta anos

    Toda quinta na padaria eu ganhava e ele pagava o café. Era sempre ele que pagava, ganhando ou perdendo. Quinzinho, a próxima rodada é minha. Você sabe onde me encontrar.

  • GS

    Neto

    Vô Quinzinho me ensinou a jogar dominó, a torcer pelo Flamengo e a contar até dez antes de falar mal de alguém. Só aprendi bem os dois primeiros. Estou treinando o terceiro. Obrigado, vô.

  • CF

    Filha

    Meu pai mantinha dois cadernos: o das contas e o das gentilezas. Só o primeiro era público. No segundo, descobrimos agora, há trezentas páginas, cada uma com um nome, uma data e a palavra “feito”. Pai, o senhor deixou a conta saldada e o coração aberto.

  • MT

    Mestre de bateria, ex-aluno da escola

    Seu Quinzinho me ensinou a ler uma planilha e a ler gente. Dizia que quem entende de números não precisa gritar. Sei que ele foi encontrar o irmão e já está dizendo ao Tonho que a conta do carnaval do céu está em dia.

  • DB

    Baiana e amiga da família

    Quinzinho nunca me deixou pagar a fantasia sem antes perguntar se eu estava bem. Anotava tudo no caderno preto e, quando a conta passava do que eu podia, o número simplesmente sumia. Foi um anjo de paletó, e anjo não precisa de saldo.